2011-12-23

Sem amargura


Aos cerca de 27.500 advogados que passam dificuldades, em particular aos 20.000 defensores oficiosos menos os 500 vigaristas que nos trazem o nome pela lama com o patrocínio veemente de uma guerra parva entre políticos e dirigentes de uma ordem profissional, sendo que a grande a maioria, como eu, não recebe pagamento pelo seu trabalho honesto há quase um ano, coragem, resiliência e Bom Natal.

A todos os meus defendidos oficiosos - e nesse grupo há cada vez mais pessoas com uma educação exemplar -, em particular aos desgraçados que não têm, literalmente, onde cair mortos, fica o conforto de saber que a maioria tem amanhã um amparo - na pessoas do Nando motoqueiro que foi condenado dez vezes pela condução sem carta de uma motoreta e a quem ninguém dá a carta proque é cego de um olho e que devia ir para a prisão em Janeiro (mas eu não vou deixar) e pensa que de cada vez que cumpre pena está como novo perante a sociedade e até me chegou a perguntar se não estava mesmo melhor dentro, mais quente, mais feliz, mais alimentado, um bom Natal com o cunhado que lhe vai dar a janta, metade da qual vai separar para o Nando levar à mãe, que passa sozinha em casa, debaixo dos cobertores, mas não se importa, porque está quentinha, Bom Natal.

Aos empregados de comércio - com destaque para os dos centro comerciais, a maioria sem folgas nos últimos quinze dias e a trabalhar até à hora da ceia de Natal -, uma das tarefas que menos deixa gozar este crescendo de excitação do próximo dia, muita perseverança, coragem e Bom Natal:).

PG-M 2011
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