2011-12-16

Chove para cima (um certo absoluto)


Não há quadros de chuva iluminados. Há este.
Não é bem chover para cima. A chuva luz, verbo luzir.
Já Caillebote veio do espaço. Que pintor pintava fotografias de século XXI no final do XIX?
Os planos diferenciados - mas é este grande que perturba: ia-se buscar a amplitude e o movimento a metades de pessoas esquecidas nas margens?
E o rigor dos olhares?
Não concordo: o dele não tem preocupação nem sofrimento - é pálido e afectado.
O dela é sólido e emotivo. Não olham para o mesmo lugar.
Sem saber, estão a induzir o contracampo do cinema, já em devir.
Ele está fora da realidade, ela está dentro.
Um certo absoluto.
Un jour de pluie a Paris.

PG-M 2011

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