2011-11-15

Stripping


Já passa da meia-noite e ele sobe à pista com Club Thing.
Ela espera.
A nudez é vedada, mas ele desaperta os botões da camisa e começa a mover as omoplatas em elipses concêntricas e as ancas - quase imperceptivelmente - em quartos de círculo. Um pingo de suor escorre-lhe da base do pescoço pelos peitorais e enxagua-se sobre o estômago. Os abdominais brilham azuis e negros, azuis e sombra, há fumo artificial a cercá-lo. A música intensifica.
Ela também sobe. Começa a mover-se como se os punhos agarrassem cordas, primeiro, membros depois. Usa gestos subtis, como devem ser as mulheres, vistosas, indiscretas, mas subtis. Estão de tal forma envolvidos que o cenário se torna um deserto dentro dos olhos. Um Atacama pela noite. A música escala. Ele deixa descair a camisa, ela pousa-lhe as mãos nos ombros crus, alinham os movimentos. Elipses excêntricas. A camisa nos cotovelos, as mãos dela nos quadris dele e ela agora suspensa, as pernas atadas, as alças caídas, o peito resplandecente, as línguas evanescentes. Ao terceiro aviso são separados por dois porteiros e ele arrastado para fora da pista. Sorriem uma ao outro com os dentes cerrados. A noite tinha começado e cobriria o dia e só as cortinas de veludo do hotel velariam os corpos. Agora ouçam a música e leiam tudo outra vez. Ou esperem pela noite no deserto de Atacama.
PG-M 2011

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