2011-11-18

"Se tu me amas, ama-me baixinho"

"Se tu me amas, ama-me baixinho." Pablo Neruda. Não. Espera. Não foi o Pablo, mas uma "oficiosa" minha, isso sim. Ando há mais de trinta anos em busca de frases assim. Frases a que os importantes nunca chegarão. Ao dizer-lhe como era bonito o que tinha escrito, ela explicou a consequência física do amor na voz. A melhor literatura. E eu, que ando muito mais atento aos outros do que a mim próprio, mas que às vezes me esqueço - como qualquer artífice centrado na sua matéria-prima, aprendi. De uma mulher que aparentemente precisava de mim. A fotografia, claro, não é inocente. É curiosamente revoltante a realidade de que me apercebi por estes dias com base neste caso - pensei que já tínhamos evoluído um bocado: procuradores machistas a destratar mulheres que manifestaram desejo de desistir de uma queixa de agressões físicas, pedindo-lhes aos berros que se decidam porque não têm todo o tempo do mundo e avisando-as - sempre aos berros - de que a justiça será inclemente caso estejam a mentir, sem perceberem porque é que o crime se tornou público, e outras mulheres que, perante uma vítima de violência doméstica ainda conseguem comentar "é porque mereceu". Estão bem arranjados comigo, estão.

PG-M 2011
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