2011-11-10

O momento: Deutschland über alles: Colette / Karine Vanasse

Desde bem pequenino, e mais ou menos uma a duas vezes por ano, como é normal e bastante saudável, apaixono-me por uma actriz e não faço segredo disso. Pois durante os próximos dias só tenho olhos para a Karine Vanasse, uma canadiana do Quebeque que faz de francesa (Colette) na série americana Pan-Am, sobre a qual já escrevi brevemente aqui. A série, que começou agora, teve uma queda livre nas audiências logo no seu melhor episódio, quando a bitola subiu, e que segue as hospedeiras até Berlim, com a ideia de testemunharem aquele que viria a ser o discurso histórico de Kennedy, o "Ich bin ei Berliner", e que pretendia aproximar os EUA e o ex-inimigo Alemanha - e afrontar o muro da vergonha. Isto é sintomático dos tempos que vivemos - não me espanta que os argumentista tentem agora nivelar por baixo a qualidade para não perder audiências, até porque a série é muito cara. Colette, vamos sabendo, tem um passado ligado à França ocupada por Hitler. Nunca aceitara vôos para a Alemanha, mas decide embarcar neste com a ideia de perdoar. Não consegue. A cena é fortíssima no contexto do episódio. Colette toma espanta toda a gente quando decide cantar o hino alemão que foi forçada a aprender em criança. Estudioso que tenho sido destes tempos obscuros, posso asseverar que me recordarei deste momento como uma abordagem exemplar. E forte. Quanto à actriz, Karine, já mandei nota dizendo "senhorita Karine, devo informá-la de que me apaixonei por si nos últimos trinta dias e me manterei nesse estado durante os próximos trinta. Depois disso, integrá-la-ei, com gosto, no meu modesto panteão privativo e acompanharei a sua carreira de perto. Vossa Excelência substitui, como efectiva, Marion Cotillard, que passa agora à reserva. PS: o seu francês do quebeque é das coisas mais requintadas que ouvi desde o sardo :)." Karine, deve dizer-se, tem vencido numerosos prémios, depois de uma carreira em que começou como "child actress". Sobre este meu encantamento pelos universos femininos, surpreendi recentemente um dos meus articulistas contemporâneos favorito, Antonio Muñoz Molina, a resumi-lo num comovente obituário que dedicou ao seu amigo Thomas Mermall, "Un Adiós desde lejos", e que rezava assim: "Era l'homme qui aimait les femmes, el hombre que amaba a las mujeres, no el cazador o el depredador sexual, sino el que vive encandilado por ellas, el heterosexual devoto de lo femenino, menos frecuente de lo que parece". 
É isto. Agora Colette e o hino "maldito":


PG-M 2011

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