2011-11-23

dois velhos no parque, ela morta


Dele sempre fui amigo. Dela enamorado. Ela nunca soube porque
Dele sempre fui amigo.
Via-os apaixonados no mesmo parque em que hoje desaguo com ele.


Doía-me quando ela armava a mão em concha para cobrir os lábios, que encostava ao ouvido dele. Eu sempre ao largo, à porta do tasco.
Ontem, no parque, cinquenta anos depois, soube que, afinal, ela não lhe dizia nada.
Talvez também me amasse,
porque é isso que fazem as mulheres que amam.


Apoiámo-nos nas bengalas e falámos sobre o tempo. Amanhã vou ao cemitério sorrir-lhe. Depois volto ao parque e ele conta-me tudo outra vez.


PG-M 2011
PS: sou o que estou à esquerda na foto
fonte da foto

Sem comentários: