2011-10-11

Menos sentenças, mais querenças

Explicaram-me sábios que hoje já não é a verdade que denomina a demanda pelo melhor, mas a autenticidade. Ao longo da vida tenho visto colegas de todas as profissões que exerço a combaterem encarniçadamente, não por debater pontos de vistas numa dinâmica dialéctica já ensinada pelos antigos, que contudo ouviam mais o outro do que a si mesmos, mas por impor a sua verdade. O problema, e não é de hoje (já o padre António Vieira, citando santos como António, Agostinho, Ambrósio, entre muitos outros, repreendia os peixes por se comerem uns aos outros, como o homem) é a ausência de afecto nesse jogo. Sobra ódio e desprezo onde devia haver afecto e, havendo-o, sobrasse também entendimento. Não devia ser tanta a urgência de apontar o senão da arte como o entorse dos discursos e dos actos na vida.
Na arte, e um dia na vida, menos sentenças, mais querenças.

PG-M 2011

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