2011-10-27

melancias guerreiras, o solzinho de volta e pedaços de outras crónicas

É. O tempo como mentor. Hoje o dia inverteu-se. A violência do vento veio para noroeste, e o noroeste é mais temperamental e muito menos doce do que o sul. E está determinado, de tal forma que, mesmo com o cenário feio e o céu carregado, é evidente que o desespero do vento quer dizer que o sol volta, em força, dentro de algumas horas, lá para o meio da tarde. Entretanto, oferece-nos uma raridade ainda maior do que a chuva de norte em dia gelado, algo que acontece uma vez por ano, quando acontece. A chuva de norte sem frio. Na corrida junto à rebentação, a magnífica melancia e a magnífica pipa. A melancia de há dois dias permanece na praia, agora mais perto do mar. Está intacta, o que é inquietante, porque anda há dois dias e duas noites para cá e para lá num mar em fúria. Talvez daqui possamos tirar uma lei, como a de que a gravidade abranda o tempo, ou de que ele passa mais devagar nos pés do que na cabeça, que é a lei de que as melancias são as amazonas das praias de outono. A pipa deu hoje à costa, é da Sandeman, e é a primeira vez que vejo uma coisa daquelas por aqui. Fiquei cheio de vontade de mandar vir um camião e cinco homens para levar aquilo para casa. Mas vou deixá-la como notícia e com mapa do tesouro: aproximadamente cem jardas a norte da praia de francelos, junto à rebentação, se estiver vazia bastam quatro homens, se estiver cheia o dobro. Bom sol de outono, em vigor mais logo.
PG-M 2011

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