2011-09-09

(comboio) Nem nunca mais


tem o cabelo apanhado
castanho lúcido
os olhos claros de que não vejo
a cor exacta
porque a certeza
era o resto do pudor.
É linda
completamente em silêncio
quase infinita
no detalhe.
Algum sol na pele
uma boca igual à minha
mas intocada.
Deve ter vinte e cinco
dois telemóveis
e tudo rosa menos
as calças de ganga
e o iphone.
É límpida
e não me vê
transparente.
Tem, claro,
como todos temos nos comboios,
a violência da despedida
na face.


Malgré tout.

PG-M 2011
fonte da foto

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