2011-08-10

O choro compulsivo que eu nunca consegui partilhar (ainda "O Túmulo dos pirilampos")

Spoiler: quem está com intenções de ver o filme, não deve ver esta cena.
Porque é a do choro compulsivo. Quando a vi pela primeira vez, há alguns anos, e porque o filme vinha agarrado a um do outro de um grande mestre (Miyazaki), não sabia nada sobre a origem do filme. Muito menos que a história era real e baseada na vida do realizador. Neste ponto deixa de ser possível conter as lágrimas ao nível das pálpebras. Aqui vemos o que fazia a menina na solidão de um abrigo abandonado, quando o irmão se retirava para buscar comida que lhe matasse a fome. Durante o filme, ficamos inquietos enquanto o vemos lutar por um naco de pão, deixando a irmã, tão pequenina, sozinha junto a um rio. É dessa abrigo que eles vêem os pirilampos. É uma cena terrivelmente  bela. Como, ao longo dos anos, das centenas de pessoas a quem disse (e dos milhares que leram neste blogue o artigo orginal) que este é, de longe, o melhor filme que vi na vida (incluindo todos os clássicos de cinema não animado), apenas uma ou duas viram o filme, deixo esta cena maior para quem não tem realmente intenções de o ver. Eu já o vi muitas vezes e fico sempre em sentido. Por causa do tamanho da arte de Isao Takahata e da forma como ele escolhe, com mão de anjo, a perturbante voz de Amelita Galli-Cruci (1882-1963, "If not the greatest coloratura soprano of all time..."), em "Home Sweet Home". E porque faço da menina a minha irmã, todos fazemos. Se eu tivesse de escolher um filme para levar para uma ilha deserta, era este. Se fosse uma só cena era esta. Para todo o sempre.
PG-M2 2011
fonte da foto

3 comentários:

elbett disse...

A maior dor humana...

Pedro Guilherme-Moreira disse...

Há uma ainda maior. A da perda de um filho. Estes eram órfãos. Mas eu nunca vi a fome retratada de forma tão superior. Se não viste, vê urgentemente, por favor.

elbett disse...

A perda de um filho é a maior dor humana. Vi-a como uma filha e veio-me essa dor. Não tenho irmãos.
Vou ver.