2011-06-14

La princesse universelle

és mulher,

és volúpia e inocência
és primeira bailarina
és menina
saia rodada de branco
saltimbanco
miúda cantando só
ao palco do quarto rosa
cliché
rasgo em balé,
modelo
flores no cabelo
espelho
e um comestível
joelho
boneca de carne
luz,
língua na língua na boca
diário com alcaçuz
rendas, merendas,
emendas

e mesmo que te adormeças
comigo entre as tuas pernas
deitas a seda na nuca
deixas o tempo amparado
e em ti,
(como em todas as mulheres)
no quarto rosa
(como em todo o universo)
há lágrimas incoerentes
homens dementes
e uma menina sentada
precisamente ao meio
de nada

deixa-me a luz acesa,
pedes tu
ao príncipe inexistente,
não me acordes esta noite,
pedes tu,
deixa-me a luz acesa
vai arrumar no sótão


a tiara da princesa.
e de manhã

és mulher,
és volúpia e inocência
és primeira bailarina

és menina

PG-M 2011
PS: traduzido do francês pelo próprio autor, sendo que realmente não o foi porque o poema foi originalmente escrito em português - excepto o título, directamente em francês porque sim; ao som de Bernardo Sasetti, a ouvir aqui

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