2011-06-23

Chanda (A vida, acima de tudo)

Khomotso Manyaka (Chanda) tem agora doze anos e, apesar de protagonizar um filme que corre (e tem sido elogiado em todo o) mundo, não tem ficha no IMDB e parcas são as suas fotografias ou biografias na net. É um excelente sinal (sinal de que tem sido protegida, como criança que é) até porque, para falar do seu papel autêntico e visceral - ela, que é uma amadora - e do filme que protgoniza, não é preciso espectáculo, cores garridas, imagens e paradigmas de frivolidade. Aliás, citar as melhores actrizes do filme deve até provocar enfado nas pessoas: a nossa Khomotso Manyaka, Keaobaka Makanyane (como Esther), Harriet Lenabe (fantástica, como MRS. TAFA) e Lerato Mvelase (como a mãe de Chanda). Mas o filme está cheio de personagens fortes, mesmo as secundaríssimas, como os irmãos, os vizinhos, os passantes, o marido. O realizador, Oliver Schmitz (é espantoso que seja um branco), sabe filmar os olhares, a luz, o pó, tem uma excelente fotografia, um excelente som. Enfim, importa pouco sobre o que é este filme: importa mais dizer que é forte, muito forte, e que perdura na alma. Sem quaisquer artifícios, tem o melhor do cinema. E o que mais impressiona é a forma como se trata a vida que, sendo afinal tão específica daquelas pessoas, é também a nossa vida, o nosso amor, as nossas lágrimas, a nossa morte - impressionante a cena em que deixam um ser humano à morte num cemitério como...punição social. A passar, claro, em horários limitados nos cinemas de todo o país, será facilmente perdido por quase todos. Mas não devia. E como eles cantam, meu Deus (ou Deus deles). Khomotso Manyaka venceu, aos doze anos, o prémio sul africano (Safta) de melhor actriz. Vão ver e percebem porquê no primeiro minuto.

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