2011-04-27

Na literatura, a alegria

Na minha literatura, a alegria reside no outro e tem em mim, apenas, o quarto arrendado dos fundos.
Vai pelo que não sou eu, pela sua expectativa, pelo apetite de ler, pelo prazer que tem numa frase, com corolário na comoção quando lhe é dito ou escrito.
Na solidão do acto criador está oculta, submersa, rege apenas no ponto final, às vezes nem isso, e é curto, sempre muito curto, o prazer.
A frase é uma operação. A página um problema. O livro uma cadeira de álgebra.
A mão a fórmula.
Se perco a mão, perco o livro.
Mas mesmo que o encontre, nenhuma alegria sem o senhorio que me arrenda o quarto dos fundos.
Nenhuma alegria sem um só leitor que seja.
PG-M 2011
fonte da foto - Autora: Luz

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