2011-04-24

Mia Eyre

Não é novidade nenhuma: para mim, metade do cinema são as mulheres. Aguento bem obras-primas como "Cães Danados", em que basicamente só vemos homens de barba rija a rebentarem outros homens de barba rija, mas tenho de tomar, logo de seguida, uma dose de mito feminino, feito ou por fazer. Ou meio-feito, como Mia Wasikowska, que, apesar do nome polaco, é australiana, toda australiana, de Camberra 1989. Mia é um acerto de casting e actua com o corpo todo, a cara toda, e também com o que não tem. A tal contenção dos grandes, que nela se adivinha. Portanto, Mia é uma Jane Eyre convincente, em breves momentos arrebatadora. O que vou dizer sobre a versão 2011 de "Jane Eyre", muito bem tratada pelo realizador Cary Fukunaga , é muito simples: até que enfim que os americanos voltam a apostar alguma dinheiro em verdadeiro cinema - apesar da liderança da produção pela BBC Films, está lá o dinheiro da NBC, através da Focus Features, e da Ruby Films (companhia "independente" inglesa). O resto é argumento, bom argumento de Moira Buffini - é que a história, sendo clássica, não resistiria ao tempo tal como estava escrita por uma das manas Brontë, neste caso a Charlotte (que o publicou sob o pseudónimo de Currer Bell). Aliás, desafio-vos a pegar no livro depois de verem filme, e conferir se aqueles diálogos resistiam num filme que, apesar de retratar o século XIX, é do século XXI. As analepses, prolepses e diálogos de Moira Buffini e, claro, a excelência de Mia Wasikowska (que só não vai aos óscares, se a Academia se perder do filme e o deixar no "remoto" inverno de 2011 - saiu em 11 de Março nos EUA - mas "O silêncio dos inocentes" ainda saiu mais cedo, Janeiro de 1991, e arrebatou as categorias principais em 1992) são o segredo de um bom filme. A não perder, claro.

1 comentário:

Beatrix Kiddo disse...

Estava a gostar do filme até ao pedido de casamento...depois aquele sol e as flores cor de rosa deram cabo de mim. E não senti química nenhuma entre os protagonistas. Mas também não me lembro de ter gostado muito de nenhum filme que tenha lido o livro antes. A maior desilusão talvez tenha sido no Monte dos Vendavais com a Binoche...