2011-04-30

Dos objectos


(...) Perante o corpo nu de uma mulher, mais do que do seu olhar, não na penumbra do que ela quer esconder mas na luz coada que incide sobre a celulite das suas nádegas e das suas pernas, que é como quem diz sobre o que em si é autêntico, há nos homens íntegros uma sacralização.
Não é possível ser filho da puta porque sim, porque se decidiu que se tinha direito, como os outros, de entrar por elas adentro sem deixar que sejam elas a entrar em nós, ignorar a comunhão final, o abraço que procuram, e quando não procuram somos nós, os rectos, que deixamos de querer saber, se é mera fêmea de copulação e nos deixa depois de se satisfazer há uma indignação vaza que nos atinge, uma maré incompleta, como se fôssemos nós as putas. (...)
PG-M 2010

2 comentários:

o gambozino disse...

nu e cru, seremos seres racionais só para metade das coisas? ou há alguns que são meio-racionais?

Pedro Guilherme-Moreira disse...

somos todos meio-tudo:))). Abraço!