2011-03-26

Fome ("The company men")

"Up in the air" foi o mais falados dos filmes que nos tentaram acordar, à pancada, para a realidade económica do mundo. Mas - e isto talvez seja muito pessoal - gostei muito mais deste "The company men". Não pelo Ben Affleck, que não é nada bom actor (nem cumpre especialmente bem), sim pelo regresso do nosso "quebra-costas" (Kevin Costner), sim - sempre - pelo Tommy Lee e sim pela miúda que nos faria a todos feliz, a muito desprezada e pouco falada Rosemarie DeWitt, e, principalmente, sim pelo argumento do John Wells. No fundo, sem exagerar no "achatamento"das personagens, tão comum no pouco ousado cinema americano de hoje, dá-nos a lição necessária. Extremamente útil para lidar com o psiquismo português dos anos 10 do século XXI, com o pânico economês e politquês, em suma, com a pequenez, passe a escusada rima. O que sabe bem neste filme é olhar de frente para as coisas, para nos determos apenas nas pessoas, ao contrário do que está em voga fazer hoje: exaltar as coisas como princípio e fim de tudo, esquecendo que é nas gentes que começa e acaba o mundo. É, pois, um filme essencial para os distraídos, os que vivem a vida a pensar que a coluna da bolsa é mais importante que a coluna vertebral.

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