2011-02-03

Rua de Aviz


De um lenço branco e perdido
e puro junto ao café
disseram-me foi esquecido
tão deliberadamente.
E ela vai lá, a pé,
vai num olhar indiferente
pela Conde de Vizela.
Estendi-lho nessa vereda,
mas ela,
grave e azeda,
só me disse: francamente,
ofereça-o a quem quiser!

E eu, ao voltar,desfeito,
voltei ao tempo imperfeito
que não tem beijos banidos
na boca, ou lenços caídos
com o cheiro das mulheres
ou flores que recitam
os antigos bem-me-queres

E se vingam os que ficam,

em plena rua de Aviz,
dei o lenço a quem o quis.



Pedro Guilherme-Moreira 2011
fonte da foto (utilizador zwigmar do Flickr)

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