2011-02-17

Os despojos da tempestade

Entre vagas de temporal (que anda não partiu de vez), hoje foi possível retomar a corrida na praia e testemunhar sinais de que a natureza e nós não temos, decididamente, o mesmo tamanho. Ontem, os ventos ciclónicos sopraram do mar, em ciclos violentos de cerca de hora e meia em que, verdadeiramente, não houve bonança. Hoje vi dunas novas que ontem se formaram, rochas nunca aparecidas que ontem se descobriram, estradas forradas a areia, passadiços de madeira partidos ou afundados, placas de trânsito no chão e as gaivotas, que no verão, à minha passagem, voam sobre mim em círculos secantes ao mar, de forma meticulosa e pousando no lugar onde estavam antes, pareciam hoje pequenos e negros balões. Primeiro, mais agrupadas (quando pousadas na praia) e depois perdidas (depois de levantar voo), vogavam, umas tentando fazê-lo para o mar (sem o conseguir), outras deixando-se levar pelo noroeste para sudeste. Já ontem as pombas, que são da paz, estavam tão descontroladas que metia dó, empurradas dos ramos pelas rajadas de vento. É a guerra dos elementos, a que nos faz pequeninos. Mas a tempestade ainda volta. O mar está inclemente, em fúria, e não nos poupa esta noite. Como os guarda-chuvas não funcionam, mais vale usar humildade para sobreviver a isto. Tenham uma boa noite.

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