2011-01-25

Proust pastilha elástica

Escreve uma adolescente rebelde:
"(...) Como não tenho dinheiro e gosto muito de ler, comprei (para promoção social e algum entretenimento) um livro interminável. Escolhi o segundo volume da “Recherche”, não só porque o título tem muito a ver com a minha idade (“À l'ombre des jeunes filles en fleurs”), mas também porque noventa por cento das pessoas que tenta ler a “Recherche” anda sempre às voltas com o primeiro volume. O mero transporte deste segundo volume de Proust tem feito sucesso entre os obtusos que sabem quem ele é, e causa aquela estranheza entre os que não sabem (estranheza que se converte em alimento da minha idiossincrasia). E depois porque é bom lê-lo. Não me dá prazer, mas dá-me rasgo. Proust é um aparelho de culturismo mental. Numa paragem de autocarro ou num assalto a um banco, em qualquer situação em que seja preciso esperar, Proust entretém. Este volume vai chegar-me para todo o período em que a afirmação pessoal não é natural a ninguém. Pelo menos até ter filhos com idade de crescer fisicamente para mim. (...)" citando-a, Pedro Guilherme-Moreira

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