2011-01-24

Porto - um parágrafo

Desviou o olhar e levou sobreluz para um barco rabelo que ia passando com o leme a rumorar as canções dos socalcos, a vela imponente agigantando o néctar púrpura, o cubo ao fundo deitado de gente e segredos do Porto, como a Ribeira calada com a fama de tanta sombra, mas afinal tanta luz, que a cada raio a sua cor e a cada cor o seu prédio, que se devolvia ao sol em forma de estendal com ceroulas e panos de cozinhas e camisas e calças e peúgas e calções e camisolas que eram a forma do sorriso que ele passou à mulher como se o fumassem.

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