2011-01-27

O lado assassino da fotografia

Ainda a adolescente:
"(...) A fotografia formata a mente e assassina as memórias. Assassina a verdade. Nos tempos que correm, com fotografia em todo o lado, a artificialidade transfere-se para dentro do real.
Senão vejam:
Do passado do qual não há fotografias permanecem memórias únicas e múltiplas. Cada pessoa acaba por reter apenas certos elementos, ao ponto de haver uma dinâmica quando dois velhos amigos se juntam e partilham o lado da memória que ficou em cada um, preenchendo o esquecimento do outro. Mas se há fotografias desses factos, elas tendem a apagar a verdade de cada um e a uniformizar todas as memórias naquilo que ficou registado. Ora, a fotografia é sempre parcial e selectiva. Na cor e no enquadramento. Ocupa e formata as memórias, contribuindo para que nos esqueçamos dos factos e das pessoas realmente importantes para nós. Daqui a uns anos, vou ter a amarga experiência de encontrar melhores amigos que não se lembram de mim. Mas lembram-se de um rival que ficou eternizado numa fotografia. (...)"

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