2011-01-12

Hoje almoçamos sem ti

Hoje almoçamos sem ti, e eu quero que a manhã
siga lenta, e nunca chegue
a hora de contar
os pratos

Hoje almoçámos sem ti, e eu tentei disfarçar
a tua ausência, mas a mão
ia sempre descansar
no lugar onde comias.
A altura do naperon ao chão
e o fingimento
e a tristeza na boca
e a vida,
tudo parecia
igual

E levantou-se a mesa e o teu lugar
estava limpo, mas eu
vim sacudir as migalhas
que fingi
dentro do punho fechado

Hoje o sol deteve-se nos telhados e o frio veio
das ombreiras, porque almoçámos

sem ti.

fonte da foto

2 comentários:

Maria Letra disse...

Triste poema à dor, quando a ausência de alguém nos faz muito mal. Quem não passará por isso?

Pedro Guilherme-Moreira disse...

Precisamente, Maria. Todos os poemas são para todos, menos para mim.