2011-01-21

Cerdedo

(...) A comitiva não tomou o caminho mais directo desde Montalegre, porque a Margarida fazia falta o mar que estava omisso há dias demais, pelo que nessa manhã de ante-sala primaveril, com o sol nascente mergulhado nos estofos dos carros e nas caras dos ocupantes, ninguém se opôs a uma passagem pela ilusão de mar que é a imensa albufeira do Alto Rabagão, nem pela enseada de brilho que a albufeira da Venda Nova nos oferece mais abaixo na estrada, alimentada pelos mesmo rio, que é um afluente do tal pungente Cávado que vem ao mundo no Larouco.
Virando aqui à esquerda, seguiram pela nacional trezentos e onze, que é uma estrada com vista a espraiar para a direita de quem vai, um longo e encantatório vale que nos vê na cumeada, talvez Cerdedo, não sei, sei que quem por lá passa, mesmo com céu negro, se rende, mais aos verdes do que aos amarelos ou magentas, há campos como colchas de patchwork com um quadrado de pequenos riscos verdes como chuva, outro quadrado com meninos sentados nas carteiras da escola com bonés vermelhos amarelos e azuis e bolas vermelhas amarelas e azuis, outro quadrado com urze vermelha, talvez Cerdedo, não sei, talvez uma mulher em Cerdedo coberta por uma capa barrosã, eles seguiram até ao ponto em que Boticas aparece lá em baixo e pode dizer-se
Estamos a chegar. (...)

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