2011-01-27

80s and 10s

Ainda a nossa adolescente a reflectir:
"(...) Aos dezasseis anos, como se dizia, a adolescência entra no tempo fugitivo. Ou seja, há coisas que, ou são feitas nesta idade, ou se perdem para sempre. Claro que a possibilidade de viajar no tempo parece resolver este aparente drama, mas verão que não é bem assim. Os passeios escolares sempre foram uma oportunidade única de banalizar a memória. Sim, de a solidificar, mas também de a banalizar. A oportunidade de ter as pessoas todas presas dentro de um autocarro é inestimável, sendo certo que cairá em desuso o que era vulgar no meu tempo: a ida para a escola em transportes colectivos. Por isso, cultivar pulsões e mistérios deixará de ser possível num mundo que acelera exponencialmente e onde nada pára. Perder-se-á o olhar. Estaremos quase sempre de cabeça enfiada num telemóvel ou numa consola. Haverá sempre alguma coisa para ocupar o tempo. As secas estarão em crise. Hoje, a paisagem já é irrelevante na rotina da maioria dos adolescentes. Há alturas em que os meus pais me levam a passear a pé pelas ruas da minha vila e eu me vejo a descobrir coisas em que nunca tinha reparado, embora já as tivesse visto. Mesmo nos percursos que habitualmente faço para ir para a escola. O caminho da escola teve sempre uma enorme importância por causa das referências geográficas e afectivas em que assenta o nosso sistema de valores. Hoje é ignorado. (...)"
Pedro Guilherme-Moreira

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