2010-12-10

À sexta

À sexta, troco o amor
pela ironia dos castos
ponho o perfume do louco
tomo o pulso ao capitão
baixo-me um pouco
finco os pés no pavimento
verifico um flape e descolo
do rebordo das ombreiras
flutuo solenemente
com o motor desligado
e sentido de dever
comunico o curso à base
voo em quase-colisão
ligo para casa, estou quase,
mudo a carteira de mão
pago o tiquê da portagem
e no final da viagem
vejo esta cara no vidro
sob a luz branca e cruel
de um documento vazio
Tomo o amargo momento
do cursor intermintente
que finalmente
me aterra, estou
profundamente cansado
como cansa a liberdade
neste meu metro quadrado
seis menos dez
e parto

À sexta,
depois de alterosos nadas
espera-me amor
nas chegadas

PG-M 2012

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