2010-12-07

Quando te arranjas para sair


Quando te arranjas para sair

sei que o fazes mais por mim,

que nunca precisei disso para te amar,

do que pelos outros, que,

não te amando,



suportam-te porque te arranjas para mim.


5 comentários:

Kássia Kiss disse...

Este texto provoca-me uma certa dualidade de opiniões.
Por um lado, acho que é uma lindíssima declaração de amor.
Por outro, acho que nos devemos arranjar para nós próprios, para agradarmos a nós próprios. Isso aumenta a auto-estima. E não impede que se ame alguém :)

Pedro Guilherme-Moreira disse...

Ainda bem. Corre o risco de ser literatura, então:).

Kássia Kiss disse...

;-)

Anónimo disse...

Esta não percebi.
O que escreveu corre o risco de ser literatura? Ou quem não se arranja para si mesmo corre o risco de entrar, como personagem, na "sua" literatura? É que, sendo assim, só se for literatura do séc. XIX (em que o masculino via sempre, no arranjo delas, uma fonte de elevação do próprio ego.

Há muita ideia feita por aqui. E é pena, porque alguns textos até são bem conseguidos.

Cumprimentos


Madalena Soares

Pedro Guilherme-Moreira disse...

Madalena, quem escreve pode ser interpretado de múltiplas formas e há na estética literária outras tantas opções - e momentos (no tempo histórico e no tempo próximo, momentos da cultura e momento do próprio escritor), que descarnam uma verdade de La Palice: qualquer texto pode ser atacado, e provavelmente com justiça, a não ser quando a crítica tem agenda e é malévola, o que não é, obviamente, o seu caso. O poema supra - que é obviamente um texto literário -tem forte carga subjectiva, ao contrário do que é costume, e é um acto de amor, se quiser de resistência, de dois amantes "contra" o mundo exterior. Não poderia ser moralista - é um erro deixar essa atitude infiltrar-se nos textos -, e, mesmo não o sendo, coloca as mulheres que cá vêm em sobressalto. Percebo porquê, mas o respeito pela mulher e o culto do feminino é uma condição do homem e da mulhere civilizados. Se ler o texto mais recente, "Vinho", verá a atitude de reverência (não de submissão) que mais não é do que a celebração da mulher. Ideias feitas? Bom, é como tudo: o texto demasiado original perde-se da literatura. A contenção é condição da arte. Não se esqueça que, não raro, o prosaico é mesmo aparente. Quem escreve deve vestir para depois despir (o texto), ou tirar a gordura. No fim, ele fica, muitas vezes, com uma aparência simpes. O que não quer dizer simplória. And so on...Obrigado.