2010-06-16

Três filmes, três mulheres

Deixei propositadamente passar o efeito de arrebatamento (no caso do cinema, será mais apropriado chamar-lhe "encantamento") com que saímos dos bons filmes, para vos poder dizer qual das três protagonistas dos três últimos filmes que vi vence o combate do tempo breve.
Passo a apresentá-las:


No canto vermelho está Tilda Swinton, 1,79m, ruivíssima, natural de Londres, Inglaterra (5 de Novembro de 1960), e vem a combate pelo papel de uma russa casada com um riquíssimo italiano (de quem obtém o "rebaptismo" de Emma Rechi) no filme "Io sono l'amore" (de Luca Guadagnino).


No canto azul está Rachel McAdams, também escorpião (17 de Novembro de 1978), a mais nova, a mais bonita e a mais baixa das três, natural de uma outra Londres (Ontário, Canadá), e vem a combate pelo seu papel de mulher que se casa com um homem que não controla a sua capacidade de viajar no tempo (um filme menos óbvio do que o próprio resumo da trama pode deixar crer).



No canto cor-de-rosa está Soledad Villamil, uma argentina de Buenos Aires (19 de Junho de 1969), pelo seu papel em "El secreto de sus Ojos" (óscar 2010 para o melhor filme estrangeiro, de Juan José Campanella, Argentina).

Io sono l'amore é, além de um grande filme, uma espécie de Ópera fílmica em que Tilda, que não tem uma beleza óbvia, está sublime. Tenho alguma dificuldade em simpatizar com Tilda Swinton, pelo que podem acreditar no que vos digo. A cena em que ela chega à casa de campo num vestido laranja é o verdadeiro exemplo da arte de um realizador e da arte da sua actriz. O vestido ouve-se a cada movimento, as costas descobertas entregam-nos o corpo. O trailer chega a mostrar um segundo, um breve segundo, dessa cena, mas o que mostra claramente é a majestade e elegância de Tilda. É quase injusto que tenha perdido o primeiro lugar.

"A mulher do viajante do tempo" é um filme cujas pontas, todas as pontas, são seguras pela belíssima e talentosa Rachel McAdams. Eric Bana é uma espécie de Liam Neeson com metade do talento. Rachel é e será sempre a girl next door que sempre namorámos à distância. Sabe ser de tal forma bela que desconcerta sempre. Emociona mesmo. O filme é bom e induz-nos  numa curiosa e inesperada reflexão sobre o tempo que vai para lá do título e do best seller que lhe serviu de base. É cinema. Somos postos em perspectiva. É importante ter referências espaciais e temporais, mas caso elas faltem temo-nos uns aos outros. Literalmente. Lamentavelmente, Rachel ganha apenas o bronze. Por causa de Soledad:).

Surpresa absoluta é o oscarizado "El secreto de sus Ojos", que trouxe (merecidamente) a glória da Academia de Hollywood à Argentina. O título lamechas e adocicado deve afugentar muito boa gente. Ia-me afugentando a mim. Puro engano. O argumento nunca cai no óbvio, a câmara de Campanella priva connosco e faz-nos pensar que não é por falta de meios que Portugal não consegue fazer cinema assim. Mas dá-nos, acima de tudo, essa superlativa Soledad Villamil, num papel que lhe valeu, aos 40 anos (e ela representa uma Procuradora que vai dos trinta e poucos aos cinquenta - excelente caracterização dos protagonistas) o Goya da actriz revelação. Campanella não tem pudor em levar-nos para cima de Soledad, e faz muito bem. Belíssima cantora de tango e grande actriz, Soledad foi a que se agigantou e venceu o combate do tempo.

Perder o espectáculo de Soledad no cinema é quase criminoso. Vão por mim. (Ei-lo:)

4 comentários:

Cristina Gomes da Silva disse...

Belíssimo, sim! Há muito que não me deixava envolver/encantar tanto por um filme

Pedro Guilherme-Moreira disse...

Qual deles, Cristina? Presumo que seja o argentino, certo? :) Pelo menos é o mais compatível com o adjectivo "belíssimo". :) Obrigado.

Alexandra A. disse...

Magnífico filme e magníficas interpretações. Percebo o "encantamento" provocado por Soledad...

Pedro Guilherme-Moreira disse...

Sim, Alexandra. E canta o tango maravilhosamente, também:). Obrigado pela vista!P