2010-05-15

The Andy Garcia (and Raymond) Show

A história é de uma simplicidade desarmante e simultaneamente envolvente e sensual, dá para rir e chorar e Andy, Andy Garcia aparece perfeito em cada fotograma. Um actor que, um pouco na linha de Robert De Niro, fez sempre bem, mas andava fazendo de forma estafada e cheia de maneirismos, aparece-nos aqui com aquele que considero o papel da sua vida.
Uma composição quase perfeita de um pai de família pouca ambicioso, que, parecendo um palerma, é afinal o elemento genial e espontâneo.
A estupidificação da distribuição cinematográfica - antes fosse da crítica, que bem precisados estamos de críticos menos eminentes, pessoas de carne e osso, que comam e andem e durmam como nós - e a forma como (não) se promovem as obras-primas não deixa que vos sejas explicado, fora dos circuitos dos blogues, como este filme é absolutamente imperdível.
Vai-se à espera de mais um filmezito do cinema independente, e leva-se com uma das melhores comédias das nossas vidas, um objecto que tem tudo lá dentro e ao qual parece não faltar nada. Luz, ambiente, actores, argumentista e realizador.

"City Island" (vencedor do Tribeca Audience Award), além de ser o nome deste filme sobre uma Nova Iorque luminosa dos subúrbios (nada há de disfuncional neste conjunto de "regular fucked-ups"), é também, e supreendentemente, o nome de uma aldeia piscatória tradicional do condado nova-iorquino do Bronx. Sim, esse mesmo Bronx.

Eu podia falar de um tal de Andrés Arturo García Menéndez, nascido em Havana, Cuba, no dia 12 de Abril de 1956, fugido do regime de Fidel para Miami, desconhecido no seu primeiro trampolim, o primeiro episódio da Balada de Hill Street, em que aparece como membro de um gangue, mas certamente adorado no que constituiu a ascenção definitiva à fama e à glória, "Os Intocáveis", de Brian de Palma, podia certamente falar-vos desse que vocês conhecem como Andy Garcia.
Mas não disse eu já que o homem estava perfeito neste fime? Não dei eu já conta do quanto fico ressentido com os críticos que não sabem dizer "Este é um filme a não perder." Que desde "O Feitiço do Tempo" ("Groundhog day", de Harold Ramis, com Bill MUrray e Andie McDowell) não via uma comédia tão sublime quanto esta?

Podia falar de tudo isso, mas vou falar apenas na figura do rapaz de 45 anos que é pianista profissional de jazz e compositor - como poderia ela ter mau gosto? - e também o argumentista e realizador deste filme, Raymond De Felitta. Precisarão as massas de o conhecer para que ele sejam bom, muito bom? Para que a delícia de "City Island" vingue? Não. Raymond foi nomeado para o Óscar da melhor curta metragem (por ) em 1990 (!). Não nasceu hoje. Se é difícil para o grande público considerar uma comédia uma obra-prima, então que experimente começar por aqui:

Sabem o filme perfeito para o final de uma semana de trabalho, onde se vai buscar tudo aquilo de que precisamos sem deixar o cérebro em casa?

É este.

Sem comentários: