2010-03-06

Porque era Carey Mulligan a minha favorita

Vamos ver se nos entendemos: Carey Mulligan é franzina, discreta, e tem cara de lolita (apesar de já ter 25 anos e de não ser tão baixa como parece), mas fez uma coisa tremenda em "An Education": encheu o ecran, e fê-lo de tal forma que é forçoso que qualquer pessoa que goste mesmo de cinema, e saiba valorizar a difícil composição de uma personagem "normal" (ou seja, que não aberração ou vítima de um qualquer horror), passe todo o tempo que dura o filme a sorrir e a pensar: como é possível tanta qualidade numa actriz revelação?
Make no mistakes: este é o papel feminino do ano (2009, claro), devidamente nomeado para o Óscar de actriz principal, e já vencedor, notem, do BAFTA, dos British Independent Film Award, COFCA Award, CFCA Award,  DFWFCA Award, o Hollywood Breakthrough Award, NBR Award, Virtuoso Award, TFCA Award, o WAFCA Award e mais vitórias,  além de mais 11 nomeações (incluindo para o Globo de Ouro).

Ou seja, o mundo reparou.

E se não houvesse já uma agenda bem traçada entre o terceiro Óscar para Meryl Streep (como se fosse necessário esse pudor em Holywood), ou o reconhecimento de um momento ímpar de um actriz mediana (Sandra Bullock em "The Blind Side"), Carey ganhava de caras.
Porque este é não só o papel de uma vida como marca, esteticamente e de uma forma muito forte, o próprio cinema, numa perspectiva global.
Não admira que o seu nome esteja indicado para encarnar "Eliza Doolittle" no remake de "My Fair Lady".
E quando eu titulo que ela é a minha favorita não quer dizer que aposte nela para a vitória no Óscar, até porque não parece haver lobby bastante, mas apenas que a vitória dela faria da noite dos Óscares uma noite ganha, tal como a de Marion Cotillard há dois anos.
O filme é agradável, mas ela já vale a visita, vão por mim.
E não acreditem em ninguém que lhe ponha reservas.
Desde a imagem de menina underage, sem maquilhagem ou sofisticação, até à frívola projecção de uma nova mulher a viver os aparentes sonhos de uma vida, Carey Mulligan rocks!
Contida mesmo no sofrimento, com uma belíssima e bem colocada voz e uma segurança que retrata o idealismo encerrado em todos nós, Carey é tanto mais impressionante (pelo menos para mim) quanto não possui o tipo adequado para que nos provoque uma paixão instantânea, e esse é o mérito maior desta actriz.
Não sendo modelo de nada, queremos trazê-la para casa no fim.
À minha maneira, também a trouxe, e aqui vo-la deixo.

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