2010-02-04

A Teoria da Bondade (Conan dixit)


Estes breves quatro minutos de despedida do comediante Conan O'Brien do seu Tonight Show e da NBC são o verdadeiro símbolo da coragem e uma bandeira para a teoria da bondade.
E são-no em oposição a um estilo de confrontação (até à guerra total), que ele adoptou no célebre episódio do carro mais caro do mundo (Bugatti) disfarçado de rato. Quem viu esse programa sabe que isso foi o menos. Houve azedume espalhado pela hora toda. E eu ainda não sabia o que me tinha soado e sabido mal nos momentos que deixaram o mundo ululante.
Ora, perante executivos engravatados que fazem isto a uma pessoa como o Conan, o que apetece mesmo é deixar correr o ódio até que essa gente tenha vergonha na cara e se aperceba do tiro que deu no pé. E, como eu disse na altura, Conan foi nesse programa, pelo menos, uma referência de coragem para os milhões de pessoas que todos os dias rumam aos seus empregos de cabeça baixa para serem manietados, desrespeitados e tratados como meros números (ou seja, como lixo) por superiores hierárquicos que há muito perderam a noção de decência.
No entanto, quando Conan teve carta branca da própria NBC para dizer o que lhe apetecesse, no último programa, agradeceu aos seus carrascos e recordou que a NBC fora a sua casa nos últimos 20 anos, terminando a declaração de despedida dirigindo-se aos fãs, e pedindo-lhes para não serem cínicos, característica que disse menos admirar em qualquer pessoa, e, passo a citar (tradução minha):
"Ninguém na vida obtém exactamente aquilo que pretende. Mas se trabalhar com afinco e for bondoso, coisas maravilhosas podem acontecer."
A mensagem é simples, prosaica até, mas difundida desta forma, naquele momento, com um Conan quase a chorar nos seus últimos minutos de NBC, pode ser inscrita numa bandeira, pode ser lapidar.
É que, muitas vezes, são coisas simples assim que precisamos de ouvir, não discursos rebuscados em busca de uma pretensa luz ou embriaguez espiritual.
E também acredito, há uns anos a esta parte, que é a batalha da bondade que se deve travar.
Ser bom, gentil, e não permitir que a maldade e todas os defeitos que atrás dela desfilam levem a melhor.
Nnunca ser passivo ou conformado.
Ser bondoso e interessado pelos outros custa muito, implica desprezo, sobranceria, e nem todos os que destratam quem quer ser bom são necessariamente maus. Muitos deles não sabem mais, dão demasiada importância a si próprios e tentam viver uma vida que julgam superior a tudo e todos, e isso combate-se todos os dias, até porque se manifesta com especial intensidade nesse novo lugar onde há uma aparente igualdade e todos se parecem equiparar:
as redes sociais.
Há uma aprendizagem que é de todos - não apenas vossa, nossa, não apenas deles.

"..but if you work really hard, and you're kind, amazing things will happen!"

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