2010-02-25

Correntes d'Escritas - dia 1 (2010, 11ª edição)

Deixo aqui o resumo do primeiro dia, que passou em directo no facebook, devidamente revisto:

Onze menos tal: Pedro decidiu contar-vos hoje a aventura na correnteza literária da Póvoa, para onde ruma agora

Onze e pouco: Pedro chega junto ao mar das Caxinas, para seguir pela marginal, e pede à chuva que páre, ou terá de entrar no Casino com o "equipamento" todo:)

Onze e meia: Pedro está já sentado na terceira fila do Salão d'Ouro e sente uma leve harmonia literária no ar:). Carlos Vaz Marques anuncia que o vencedor do 7º Prémio literário Casino da Póvoa é "Myra", de Maria Velho da Costa (que é fantástico)

Meio-dia menos tal: valter hugo mãe discursa com humildade em representação de todos os escritores e fala da maravilha humana dos escritores, de Agustina, de como a Praia da Póvoa ficava em França, ou França na Póvoa:)

Meio-dia:  Inês Pedrosa sobe ao "púlpito para falar de Agustina. Disse que o parecer de um advogado é uma coisa importantíssima e o texto de um escritor nem por isso, no sentido de um ser pago e outro não, e está aqui um advogado e escritor que sabe que não é bem assim:). mas percebe-a bem:)

Meio-dia  e tal:  Inês fala agora da definição do ofício da escrita por Agustina: o "desiludir com mérito" que será o tema da 1a mesa de hoje.


- Meio-dia e meia:  falou com serena sabedoria Mónica Baldaque, filha de Agustina, que infelizmente está doente há três anos, mas hoje veio como luz para lá da "Ronda da Noite".

- Uma da tarde: Os escritores convidados (ou participantes) andam todos juntos de autocarro para cá e para lá (eu bem estranhei que o parque junto ao Casino estivesse vazio), e a verdade é que eu tinha lá dois ou três amigos que participam nisto pela primeira vez, e antecipávamos todos grandes tertúlias entre mesas, e a verdade é que público e escritores não participantes andam espalhados por cafés e restaurantes da Póvoa:).


 - Uma e tal: Dizia eu que acabou por ser útil raptarem-me os amigos escritores, porque assim pude dar entrada de dois requerimentos judiciais urgentes, entre a sopinha e o panado em pão, e estar mais descansadinho. E as funcionárias aqui do "take away" "Smile", junto ao Auditório Municipal, são uma simpatia. Já me sinto em casa:);

- Três menos cinco: A sra ministra chegou a horas, assim como o Zé Carlos Vasconcelos

- Três: "Caras PG-M": Isabel Alçada é muito mais bonita, muito mais jovem, muito mais afável, do que nos outros lados onde não a vi. Isto está à pinha. Preferi subir ao balcão, para não sufocar:)

- Três e tal:  são muito curiosos os olhares pendurados de quem sabe que se conhece por dentro, mas não por fora; a maioria destes escritores é doce e disponível, e busca, tal como diziam o Valter e a Inês hoje de manhã, irmanar aqui, por uma vez, a solidão da escrita:). Fala a Isabel Alçada.

- Quatro e tal:  Isabel Alçada conta a interessante história do desvio da rainha Dª Maria (com 10 anos) de Gibraltar para Inglaterra, onde Almeida Garrett era adido e escreveu escrito "Da educação", onde aconselha livros de História para crianças, e não fábulas, porque não se deve mentir às crianças:)

- Cinco mentos tal: Isabel Coutinho, do Público, equilibra o seu portátil num cantinho ao fundo da plateia;


- Cinco e tal:  fala Eduardo Pitta, "a frase (de Agustina, "escrevo para desiludir com mérito") não é tão disparatada como parece", numa mesa moderada por Catherine Dumas;

- Seis menos tal: fala agora Fernando J.B. Martinho, com sabedoria que não posso igualar e uma humildade que invejo (como gostava de parecê-lo, e não apenas sê-lo:), no melhor dos sentidos:).


- Seis: fala agora Moita Flores, na sua voz quente, contando que o pai comprava perservativos na farmácia piscando o olho ao farmacêutico, e que os guardava junto aos livros proibidos, que foram os primeiros que o jovem Francisco leu:). E soube-lhe mal.


- Seis e tal: estou a ver ali na mesa umas carinhas de superioridade intelectual perante as palavras doces de Moita Flores, e estou a lembrar-me de como há pessoas que sabem comunicar tão bem, que apetece ficar a ouvi-las, mesmo que não digam muito de novo. Mas às vezes precisamos disto, e a mim soube-me muito bem.


- Seis e Meia: bonitas palavras da poeta (a palavra "poetisa" morreu mesmo, é?) Gilda Nunes Barata. Mas ouvir discursos desde manhã faz-me ter uma certeza: Mais vale palavras mais pobres ditas, do que um texto brilhante lido. O de Gilda está excelente, mas para ler.


- Sete menos tal:  Zuenir Ventura. Como é fantástico o português com sotaque brasileiro:). Não há tédio possível:). Diz que não gosta de escrever, mas de ter escrito, e que o faz para desiludir com demérito. Também conta que foi arquivista de um jornal, ou seja, que era uma espécie de Google lento. Também diz que começou porque a mulher (aqui presente) mandou. Uma delícia!


- Sete da tarde: Despeço-me com amizade (quem dizia isto, quem era?) deste primeiro dia de Correntes d'Escritas (estou farto de matraquear no telemóvel:), que foi fantástico (é sempre:). Quem quiser, pode seguir as impressões do dia no meu perfil:). Até amanhã.

Balanço do 1º dia: a fragilidade no olhar de cada um de nós. Afinal, nada sabemos, e os escritores são tanto melhores quanto mais rapidamente o assumem. De resto, contemos em nós todos os sonhos do mundo:).

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