2010-01-19

Lá vai ele (eu e a Helen Mirren)

Surgiu-me enquanto o vento me fazia a malandrice de, calmamente, rodar de sudoeste para noroeste, e me obrigar a correr pala lá e para cá contra ele:
Já devo ter passado os quinze anos de corridas diárias relativamente regulares, e, ao longo deste tempo, muita gente se me tem dirigido reclamando ter-me visto aqui e ali, a esta ou àquela hora, em esforço, desforço, caído, erguido, cansado, empenhado, rápido, lento.
Hoje ocorreu-me que, não só poderia fazer uma colecção de cromos dessas interpelações, como muitas pessoas (que passam por mim sensivelmente à mesma hora de todos os dias) me podem ter como um dos elementos que balizam a sua rotina, como há tantos que balizam a minha, dando-me esse conforto quando digo:
- Lá vai ele.,
(o grande desconchavado a correr em estilo de pêndulo, não importa, o que importa é que lá vou eu) e isso me honra de sobremaneira, bem mais do que alguns pretensos sucessos pessoais que mais não são do que breve hipocrisia alheia. Este
- Lá vai ele.,
é sólido e grato, reconhecimento de uma vontade e de uma persistência que vai dos zero aos trinta (graus), do frio ao calor, da praia à estrada, da alegria à tristeza.

E orgulha-me, orgulha-me quase tanto como a ausência de sentimento de culpa por Helen Mirren ter apenas menos um ano do que a minha mãe, e eu, gabando-lhe os genes, passar a vida a dizer
- Lá vai ela.,
tendo vontade de dizer uma coisa completamente diferente.:))).

"Pronto! Lá estás tu!" (Lá vamos nós:))

PS2: Não, a Helen, hoje, não deve nada à foto supra:). Ó p'ra ela:

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