2009-12-06

Cinema é Lisboa, o resto é paisagem

Acho curioso que chamem província ao país menos Lisboa, quando afinal o que é provinciano e sinal de pequenez é o centralismo bacoco de quem pensa que fora da área metropolitana da capital é tudo um bando de crentes. A saúde de um país também se vê pela forma como ele trata as cidades e os cidadãos periféricos. Eu até aceito que a chuva e os sotaques fiquem todos a Norte, e seria redundante estar aqui com paninhos quentes a dizer que Lisboa é uma linda cidade e blá blá blá, porque afinal qualquer pessoa com um palmo de testa se está cagando para essa coisas. Somos todos, certamente, orgulhosos portugueses, e, cada um para seu lado e sem que nunca as paixões possam ser inibidas, alfacinhas ou tripeiros, lampiões ou portistas, provavelmente até com as cidades trocadas, não importa.

Agora o que me irrita profundamente é quando certos senhores pensam que só em Lisboa é que se podem ver certos filmes, e se esqueçam de os distribuir no resto do país. Ao menos no Porto! Ao menos no Porto. E nem sequer falo de filmes "alternativos". Não.

Isto acontece amiúde e envergonha-me.
50% das estreias desta semana, nomeadamente "Coco Chanel e Igor Stravinsky" e "A nova vida do senhor O'Horten", aconteceram só em Lisboa (clicar sobre os nomes dos filmes para os trailers).

Como frequentador habitual das salas de cinemas, esta semana, pura e simplesmente, não havia filme decente para se ver, e, se noutros tempos, sob desespero, eu entrava na primeira porcaria que me parecesse suportável, nem morto me apanhavam esta semana no telefilme com argumento baseado nos livros da senhora ministra da educação, aquela que "alça" sorrisos repentinos para conquista da nossa simpatia.

Chegar ao jornal e não encontrar qualquer dos citados filmes em cinemas do Grande Porto revolve, verdadeiramente, o estômago.
Um, ao que dizem, é um excelente e saboroso filme norueguês, raridade por estas paragens, e o outro francês (realizado por um holandês), cujo tema me interessa particularmente (a primeira parte do século XX) e em que debuta uma, também ao que dizem (porque eu não sei; como poderia?), promissora e belíssima francesa chamada Anna Mouglalis (na foto).
Foram-me miseravelmente usurpados porque as 78 (!) salas do Grande Porto não chegaram para que os Lords of the Portuguese Cinema se decidissem a estrear cá uma copiazinha que fosse.
Posso mandar-vos ir ter vergonha na cara?

Então ide.


Créditos Fotográficos aqui

1 comentário:

Pedro Guilherme-Moreira disse...

Mais uma vergonha esta semana. O fabuloso Afterschool também não estreou no Grande Porto. Que raiva!