2009-10-01

O Tempo Quieto


Ontem o tempo esteve quieto.

E o tempo quieto é, para mim, uma página em branco.
E como eu sou um permanente gatafunho, o tempo quieto permite-me evoluir sem ruído.~

Um destes dias, a uma mesa da magnífica esplanada do Arrábida Shopping, estando eu, que sou uma pessoa grande, a tomar café com uma mulher que é uma grande pessoa, e apesar de não gostar nada de astrologia, fiquei marcado por uma frase dela que me vem acompanhando:

- Os Caranguejos são obsessivos.

Faltou-lhe dizer compulsivos:).
A verdade é que aquela simples frase, a propósito de pouco, me ecoa na cabeça e faz ricochete nas paredes do ego.
Comecei a perceber que, ou ando sempre arrebatado, ou não ando de todo.
E que um arrebatamento substitui o outro.
Seja a música, o Direito, a Escrita, os livros, pessoas.
Provavelmente é daí que vem a vontade de permanecer na escrita, onde o arrebatamento dura sempre mais tempo do que em qualquer outra actividade humana.
Música incluída.
Depois, o arrebatamento é um óptimo teste à lucidez e ao bom-senso.
É uma espécie de enxurrada que nos arrasta pela lama ou pelos céus, vestidos de nós ou de arlequim, e que só procede se nos mantivermos calmos, de olhos bem abertos.

Ontem, com o tempo quieto aqui no Porto, inscrevi-me no mundo sem rugas ou acidentes.
Os meus arrebatamento ficaram planos, eu sereno.
Hoje voltou tudo, e o mundo avança:).

Créditos Fotográficos: fonte aqui

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