2009-10-09

Leitores e eBooks sem gripe

Chiu. Caluda. Eu também sou um compulsivo leitor de livros de papel.
So what?

Tenho, como quase toda a gente que usa computador, de ler centenas de documentos em pdf, que é para não falar de livros enviados por amigos, colegas escritores ou editores, ou blogues (dá para arrastar blogues inteiros para dentro disto, coisas que não temos tempo de ler no trabalho ou em casa). Em pdf.
E, como advogado, códigos, textos doutrinários e jurisprudenciais.

Aliás, custa-me a conceber como é que editores e assistentes editoriais ainda se massacram a ler centenas de milhares de páginas de pdfs no ecrã de um computador. Tenho pena, até. Porque, à excepção de uma boa amiga e grande tradutora, que por ser excepção confirma a regra, ninguém gosta de ler textos longos assim.

KISS, não é? Keep it simple, stupid. Ok.

Não vos escrevo com preocupações ecológicas, não tenho perfil para tal. É verdade que o meu filhinho de dez anos, ontem mesmo, me perguntou, do nada, "porque é que as pessoas só falam da Gripe A e não se preocupam com a falta de água?", eu achei piada, disse-lhe que ainda ninguém me tinha posto tão bem a questão, mas o que eu quero é ler tudo e em todo o lado e da melhor forma.

Estou a experimentar este leitor de livros electrónicos, e o que mais me impressionou, logo de entrada, foi a chamada "tinta electrónica", ou seja, um ecrã sem luz, sem consumo, as letras aparecem ali, à superfície, como num livro. Não cansa nem agride.

Gosto de coisas simples para poder usá-las.
Este não tem nenhum artifício, como não o tem um simples livro, e está pronto a usar mal se liga.
Os livros abrem na página em que os deixámos.
Com uma bolsa adequada (já pensei em forrar uma capa de um volume da "Recherche", e andar com o leitor dentro dela:), para proteger o ecrã e permitir que o seguremos como se de um livro se tratasse, a experiência não é nada desagradável, bem pelo contrário.

Questões práticas:
É supérfluo? Não. É para ler livros, e um portátil não é para ler livros. Tem uma bateria que não é preocupação - este lê oito mil páginas com uma só carga, o que quer dizer semanas, para não dizer meses, e como também carrega via porta usb, de cada vez que se liga ao computador para adicionar mais livros, é virtualmente inesgotável:)).

Não é igual a um livro, nem eu acredito que o venha a substituir totalmente.
É complementar.
O Vinil está a regressar, e não é preciso para nada. A sua experiência táctil não se compara à experiência de manusear e cheirar o papel de um livro. De o segurar na mão, sentindo os relevos ou vendo as imagens das capas, que nos atraem. Não. O livro não morre, nem estas coisinhas servem para o matar.

Por isso rejeito as mensagens do tipo "aqui está o futuro".
Não está.
Está o presente.

Se o dinheiro não for um problema, aconselho-o vivamente aos profissionais da escrita, da leitura, e aos leigos que são grandes leitores. Para esses, creio ser indispensável, e nem sequer é uma necessidade nova que se cria. Eles sabem o cansaço que os olhos sentem.

Se o dinheiro for problema, temos aqui um dilema:
Se queremos que o preço de um leitor simples venha para os 100 Euros, como eu acredito virá rapidamente, temos de os comprar. É uma pescadinha de rabo na boca. Comprar significa apoiar um conceito que não colide com o livro tradicional, bem pelo contrário:

Eu, se já lia muito, vou agora ler muito mais.

Ontem já aconteceu, nas esperas.
Tirei-o do bolso (este dá para isso) e estava a ler em segundos.

Viva o livro.

1 comentário:

belinha disse...

Não conhecia este,conhecia o Kindle!Escrevi isto há tempos:
O fim anunciado do livro