2009-08-22

Os brutos e a menina campeã (Semenya)

Já estou tão farto disto, que me parece honesto escrever o que penso antes que os despudorados senhores da IFAA publiquem os resultados do teste ao género sexual de Caster Semenya.

Com as palavras todas, a forma como o mundo em geral, e certas instituições em particular têm "fabricado" o caso da grande atleta e campeã do mundo dos 800 m em Berlim, Caster Semenya, é, mais do que revoltante, nojenta.
Então lembraram-se de duvidar agora? Ela é tão feia que tem de ser um homem?
Isto é maneira de se tratar uma senhora (corrijo...uma menina) ?
É mesmo preciso envergonhar e humilhar um ser humano desta forma?
Ninguém tem noção de decência?

Meus caros, sem qualquer fundamento sério, que não o fútil da aparência "masculina" e a superioridade esmagadora (perante suspeitas imperialistas, como vão ver), a dita Federação Internacional e os órgãos de comunicação de todo o mundo têm oferecido um megafone indelicado e fútil sobre a aparência da atleta, no momento da sua merecida glória.

O que diz isto de nós todos?

Imaginem agora, como é altamente provável que aconteça, que Caster Semenya é "declarada" mulher. A menina de dezoito anos proveniente de uma família negra pobre de África do Sul, que teve o desplante de ser campeã do mundo de forma brilhante, fica marcada para toda a vida por este episódio (o seu pai já declarou, e muito bem, sentir-se pessoalmente ofendido).

Que certas bestas do jornalismo não tenham noção, princípios ou limites para inibir a divulgação destas notícias, ainda vá (por acaso, vi uma excelente e cáustica reportagem do Luís Costa Ribas para a Sic - muito bem! - , coisa rara na televisão portuguesa - e um breve mas saboroso comentário irónico ontem mesmo na RTPN, que mostra que nem todos os jornalistas vêm comer à mão o que lhes dão sob holofotes;), e quando falo de princípios ou limites estou a lembrar-me de uma capa do "The Sun", salvo o erro, "gritando" a Caster: "Prova que não és um rapaz!"

E então, como explicar toda esta precupação dos britânicos?
Fácil: É que, também de forma brilhante, a britânica Meadows conseguiu uma medalhe de bronze "in extremis". Se afastasse à força a medalha de ouro, ficava com a prata, vejam lá (onde está o senhor de La Palice?), e a Grã Bretanha ainda não ganhou nenhuma medalha de prata!!!

Bastou este mau perder para rapidamente a lamacenta imprensa britânica conspurcar o nome da menina sul africana de 18 anos, e o resto do mundo ir atrás.

"Porque é notícia."

Ora merda!

Sejamos lúcidos, sensatos, e ignoremos o desprezível rebanho que nos leva todos os dias ao precipício, balindo alegremente.

O Quinto poder é muito estúpido!

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