2009-08-28

A banda sonora da vida

Ainda antes dos telemóveis, já eu usava aquelas agendas electrónicas da Casio para contactos, calendário e agenda. Acontece que o avisador irrita-me ao fim de alguns meses. Nas velhas agendas Casio e nos primeiros telemóveis, não havia hipótese de o mudar, tal como nos velhos telefones. Hoje podemos ter um toque por cada situação ou pessoa, e há quem não goste. A mim, sempre me divertiu. Perco pouco tempo com os meus toques, mas também gosto que sejam a minha cara, sem me embaraçar. Como tripeiro (das entranhas até à ponta dos dedos dos pés), tive durante muito tempo o trecho de guitarra do "Porto Sentido", do Rui Veloso, que eu próprio montei (como faço com todos, usando o Audacity) como toque geral. Passei pelo genérico do "Boston Legal", mas a 5ª temporada tirou-o de lá (o que é isso de despedir quase todas as mulheres da série?). No presente, orgulho-me, porque me dão paz em vez de me irritar. "Cinema Paradiso" para toque geral e mensagem, mas o mais fantástico, que só na rotina dos dias se destacou, é o avisador de agenda: "Ave Maria" de Maria Callas (som real, em mp3).
"A Voz" sai surpreendentemente límpida, e infiltra-se em todos os recantos, mesmo quando o telemóvel está guardado nos fundos. Aquela contenção suprema é contagiante, e eu deixo-me estar, ouvindo.
Passei a atrasar-me para todos os compromissos, o que, sendo português, é inadmissível e merecedor de castigo severo.
Deixei de cumprir a agenda, mas digo sempre que a culpa é da Callas.
Safar-me-ei?

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