2009-06-03

Superlativos eficientes

Estava eu a almoçar na esplanada errada da Rua Augusta (não serão todas?), porque o Martinho estava fechado e não devia, estava eu levando um banho de cosmopolitismo que só Lisboa saber dar neste país (o meu Porto é - e eu dou graças - muito mais recolhidinho), quando vejo a pungente cena (é sempre pungente ver o ser humano superar-se) de vários paraplégicos  - um ou outro tetraplégico - rodeando um executante de rua, fotografando, recolhendo som, filmando. Muitos deles só mexiam a boca, outros não coordenavam os movimentos (como nós), mas formavam todos um grupo coeso, distibuindo-se entre a rua e a esplanada onde se empenhavam em grandes diálogos num tempo e espaço próprios. O meu filho absorveu tudo com admiração. Sei que estes momentos vão fundar um gesto corajoso nalgum ponto da sua vida. A mim apetecia-me chorar baixinho, de admiração, de alegria, de respeito. Nunca de pena.  Superlativos eificentes!

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