2009-06-01

O Cirque e o Corpo

Hoje vi um rapaz deficiente fazer da sua fraqueza força. Era artista de um circo superlativo. Girava sobre muletas e o público, em silêncio, agradecia ao circo do sol a inclusão óbvia. Óbvia porque o Cirque é virtuoso.

Hoje vi dois irmãos de troncos e pernas atados voando em fios negros.

No dia 25 de Abril de 2008, em Algés, tinham sido dois corpos num jogo de luzes, a luz foi a carne, a dar-nos os mais belos quinze minutos das nossas vidas.
Hoje vi outra vez o público rendido, deslumbrado, as crianças a rir da simplicidade da beleza e da comédia. Aos adultos impressiona o rigor, a coordenação perfeita, a orquestra ao vivo, e a forma como o encanto vira deslumbramento.
(Já vi pessoas chorar por não conseguir sintetizar a emoção do tanto que lhes é dado.)
Entramos, vemos risos e marketing e tudo a municiar o financiamento desta loucura que um dia (no ano da graça de 1984) tiveram Guy Laliberté e Daniel Gauthier na Baie-Saint-Paul (algures no Canadá).
Saímos e queremos contribuir (nem que seja com palavras), porque é devido.
Eles não se enterram no buraco negro do sofá, nem sofrem de exaltação do ego e afundamento do alter.
São.Ponto.
E deviam SER obrigatórios.
Cada espectáculo do Cirque du Soleil é uma "life time experience".
Eu já vi dois, sou por isso privilegiado e viverei mais tempo, nem que seja sonhando aos círculos com o universo destes iluminados.

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