2009-06-07

Eddie Britt morreu. Viva Eddie Britt!

Escrevo deslumbrado.
Acabei de ver o 19º episódio da 5ª temporada das "Donas de Casa Desesperadas", um magnífico espisódio dedicado a Eddie Britt e intitulado "Look into their eyes and you see what they know", uma série que em certo ponto abandonei, mas que está agora melhor do que nunca. É a única que me inspira literariamente. Cada episódio tem introduções e epílogos tão bem escritos, que me dão a urgência de escrever. Não raro, sento-me ao computador para sarar essa dor, como agora.
Como este espisódio já passou há algum tempo nos Estados Unidos (2009-04-19), parece-me legítimo falar no pretérito dessa grande personagem que era Eddie Britt, por já ser pública a "notícia":
Mataram-na. Não sei se por questões contratuais ou de enredo (esta última hipótese não faz muito sentido), nem é importante. Mataram-na e eu vou sentir a falta dela.

Ao contrário das mulheres doces da variante J, que homenageio abaixo, Eddie Britt era ácida e artifical, implacável e frívola. Não era agradável na espuma dos dias, nas horas que passam devagar, não era amiga de todos os minutos.

Mas era uma mulher magnífica.
Voluptuosa, de cultivo da aparênca, do cheiro, do toque, da fantasia, tinha a leveza das mulheres que não precisam de peso, porque o têm de forma específica. Era quase tudo o que queremos ser ou ver. E, se essas mulheres de mera índole estética, do virtuosismo da imagem, também são essenciais para um mundo melhor, porque um mundo sem beleza se torna esquizofrénico, Eddie Britt, afinal, estava presente nos momentos fundamentais daquelas que, aparentando ser suas concorrentes, mesmo rivais, eram verdadeiramente suas amigas, estava sempre por lá nos dias de chuva, com um copo na mão, e não deixava que o colectivo se afundasse em lamúrias. Descolava do marasmo.
Senhora de uma ética muito própria, era profundamente solitária, vivendo atormentada pela verdadeira solidão, de que tentava fugir, sem sucesso.
E por não se dissociar dessa sede incontrolável da aparência e de bem-estar material, alcançou a suprema coragem de entregar o filho, que obviamente amava, à custódia do pai, quando se divorciou.
Morreu num acidente estúpido de automóvel, electrocutada.

O mundo também precisa destas pessoas.
Pessoas bonitas que, tendo consciência do seu desvalor para lá da aparência, são suficientemente humildes para deixar alguns palcos a quem os merece. Todas as guerras, aliás, são feitas do oposto do que era esta mulher. Quantos medíocres conhecemos que, a pretexto de quererem abocanhar tudo, infernizam tudo e todos em volta?

Vamos sentir a falta de Eddie Britt. Era mulher magnífica.
Loira, alta, corpo perfeito, voluptuosa, de cultivo da aparência, do cheiro, do toque, da fantasia.
Era quase tudo o que queremos ser ou ver.

Eddie Britt morreu. Viva Eddie Britt.

PS: já agora, uma salva de palmas para a excelente actriz que é Nicolette Sheridan:), à qual só conseguiram dar nos idos de 1979 dois Soap Opera awards por "Knots Landing", e nenhum Globo de Ouro ou Emmy Individual (ganhou apenas dois globos de ouro colectivos, em 2005 e 2006, pelas "Donas de Casa Desesperadas");

Créditos Fotográficos: Randee St.Nicholas, ABC

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