2009-05-21

Eu, o Direito, a Soraia Chaves e o Mário Crespo nas Grandes Entrevistas - Vidas de Brian

Depois de muito tempo, volto a escrever sobre Advocacia e Direito para camionistas (acima de tudo, mas presumo que alguns licenciados em Direito conseguirão entender;).
 
Peço desculpa, mas a falta de tempo impede-me de vos dar informações mais detalhadas sobre o epigrafado, nomeadamente as minhas entrevistas na RTP, SIC, TVI, SICN, RTPN, TVI24, Dois, Gaia na Frente, Armação de Pêra pelo lado, Alentejo Total, Idanha é nossa, Viva o Porto.
 
Tenho-me desmultiplicado em entrevistas, mas só vai ser possível observá-las no director's cut da sociedade, daqui a alguns anos.
 
Basicamente o que defendi perante todos os entrevistadores foi que o Direito precisava de uma "Vida de Brian".
 
Neste momento, o apregoado senso todos tolda, todos os que se pensam extremamente lúcidos, e até consideram que é nos megafones da imprensa que resolvem todas as questões..
 
Infelizmente, estamos entregues aos bichos, que comem inclusive o colesterol bom dos mais saudáveis.
 
Só os medíocres têm paciência para permanecer no poder e sob holofotes.
 
Há um critério que, para mim, é fundamental:
quando se fala mais à imprensa que aos próprios pares, está tudo dito.
 
É válido para todos, não apenas para o Bastonário.
 
Mas quando eu for Bastonário, e nessa "Vida de Brian" sê-lo-ei, saberei calcorrear caminhos junto dos meus colegas, e longe dos holofotes.
 
Responderei a cada jornalista que ele (o jornalista) está nas mãos de interesses, mesmo quando pensa dizer a verdade, e que se não estuda a fundo junto de um tolo como eu o que são os verdadeiros problemas da Justiça e da Imprensa, nunca irá longe. Será sempre postiço.
 
E farei questão de anunciar que Portugal já precisava de uma Marilyn Monroe, e que ela é a Soraia Chaves.
 
Gostaria de lembrar, uma vez mais, que a Marilyn Monroe morreu como grande actriz (quem viu "Misfits" não pode ter dúvidas), e é mais importante para a História, e portanto para o próprio Direito, do que qualquer Bastonário de qualquer ordem pelo mundo e pelos séculos fora.
 
Ou seja, estou hoje perfeitamente consciente de que o bem se faz sem anúncios prévios, na rua, cara a cara, grão a grão.
 
Estou certo de ter "tocado" para o bem maior do Direito, ao longo de 14 anos de profissão, pelo menos 200 pessoas.
 
E quando digo tocar, digo tocar a sério, mudar a perspectiva e a atitude perante a sociedade e os conflitos potenciais.
 
Coisa pouca, mas é a minha obra maior, até porque não ganhei dinheiro com isso.

Somos 27.000 x 200 tocados = Cinco milhões e quatrocentas mil pessoas, e se cada uma delas falou e fez perceber 3 outras = Dezasseis milhões e duzentas mil pessoas.
 
Se deixar isto apenas para um terço dos advogados, tirando as maçãs podres, mas tendo em conta que alguns deles têm outros meios de persuasão, teríamos um número realista de sete milhões de portugueses devidamente esclarecidos.
 
Por mais que o nonsense dos Monty Python faça aqui a sua incursão, é muito real a minha convicção de que o bem só assim se pode fazer.
 
Tenho lido algumas coisas sobre História. Estou perfeitamente convencido. E desprezo o que tenho visto de uma forma tão profunda que só me permito deixar de considerar quase todos os envolvidos.
 
Esta mensagem foi só para que saibam que, apesar da desilusão e da tristeza de uma realidade comprovada (uma triste realidade), tenho a paz e a serenidade de, sem utopias, e com sentido realmente prático, estar a fazer o bem.
 
Claro que, o que temos de tirar aos sete milhões de portugueses esclarecidos, são cerca de nove milhões.
 
Não de benfiquistas, mas de pessoas confundidas, desiludidas, revoltadas, com o triste espectáculo do qual pouco entendem, para lá dos resumos normalmente mentecaptos da imprensa (e eu até acredito na imprensa de qualidade, embora ela hoje tenha pouco tempo para existir - às vezes, nem o Mário Crespo, que entrevista sargentos sem estatura porque são "factos noticiosos"...!)
 
Assim sendo, o papel desta voragem mediática proporciona-nos um saldo negativo de três milhões, ou mesmo os nove milhões, se os sete milhões ao nosso cargo esmorecerem.
 
Eis o triste papel dos medíocres, que são os únicos que têm paciência para se agarrar ao poder (ou à vontade de o procurar).
 
Cumprimentos, Pedro Guilherme-Moreira

PS: que fique bem claro que esta não é uma crítica ao Bastonário Marinho Pinto (aliás, nem sequer é nele que penso em primeiro lugar), mas absolutamente a todos os advogados que não pensam, nunca pensaram, nem nunca pensarão, acima de tudo, no bem comum, nos seus colegas; Pensam, antes de mais, em si próprios, na sua promoção, muitas vezes iludidos de que são Dom Quixotes com nobres sendas. Toca aos mais eminentes, e essa é a razão da minha profunda tristeza com o que se passa. Todos ralham e ninguém tem razão. E o mais grave é que nunca o perceberão. Melhor tratar tolos como eu de tolos para cima.
 

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