2009-05-25

Caro António, este Circo do Direito é...

Afinal, a despeito da ironia inserta no artigo abaixo ("Eu, o Direito, a Soraia Chaves..."), sempre falei hoje cerca de dez minutos aos microfones da RTP e da Antena 1, em directo e sem rede.
Surpresa agradável - A serenidade do António Jorge, o pivot, a vontade de ouvir, a capacidade de deixar falar e a atenção ao que é dito pelo interlocutor; espero que ele tenha percebido que os meus ataques não foram dirigidos à imprensa, à sua imprensa, mas a toda a mediocridade;
por isso é ao António Jorge que dirijo, numa espécide de carta aberta, as seguintes palavras:


"António,

Como viu, e confio na sua lucidez, hoje, no seu programa, não se falou efectivamente de nada.
Mesmo a Dra Elisabete Granjeia, pessoa que muito admiro e respeito (sem reservas), ao ser vice-presidente de um órgão ameaçado de extinção (Cconselho Distrital do Porto da Ordem dos Advogados), nunca poderia falar descomprometidamente. E falou do meu "dedo", quando eu apontei as estrelas. Importava realmente se a questão afecta ou não o meu dia-a-dia? Nada. Claro que afecta o dos Conselhos ameaçados de extinção (e o que importa isso à essência das coisas?).

Mas eu fiz uma intervenção de fundo! Dela ficou apenas:
- a guerra na Ordem não afecta o meu dia-a-dia;
- há advogados que passam fome;

O resto foi, com uma ou outra excepção, verdadeira ignorância passeando pelas massas, que ainda assim é melhor do que incompetência. Mas não sai da mediocridade.

Continua o Circo. Quer ver?

Não liguei a ninguém previamente. Mas a TV e a Rádio são megafones.

Aqui na terra, e também na Terra :), houve gente que me ouviu, entre conhecidos e amigos.

O pessoal da rua e do café gostou, porque sou da terra, mas não me percebeu realmente, e continua a dizer o mesmo que me levou a atestar, no início do Bastonato, que tínhamos o povo ganho só com o estilo deste Bastonário. Mas não percebeu nada do que eu disse. Advogados a passar fome? Ganha menos do que a sua empregada doméstica? Circo?

Os amigos que me ligaram , mais informados e serenos, perguntaram-me se tinha corrido bem.

Eu disse, claro, que não, porque não serviu nem servirá de nada.

Sinto-me perfeitamente realizado se você, António, duvidou por um momento se está ou não a cumprir agendas previamente definidas. Nem que seja por guerras de faca e alguidar perfeitamente irrelevantes (os Bastonários serão sempre passageiros, mas a Justiça inerte fica). Repare que tenho certeza absoluta de que muitos bons jornalistas, cegos pela luminosidade do próprio poder mediático que exercem sem maldade, não têm capacidade de discernir os contornos claros da coisas. Não por culpa própria.

Já pensou porque é que noticia o caso Esmeralda e não um qualquer caso Ana Maria, ou Mafalda, ou Teresa, ou Hugo, ou Pedro, ou Marco? Se eu lhe disser que os ingredientes da maioria dos casos de que lhe falo são bem mais escabrosos do que o caso Esmeralda, poderá concluir que...noticia o caso Esmeralda porque sim? E "porque sim" é a vocação de certas pessoas de se porem a jeito para serem estrelas mediáticas. O caso Esmeralda não é mais do que isso.

(provavelmente a questão da CPAS - ouviu falar? - é a única importante no meio disto tudo, desta aparente "guerra", mas quem fala disso?).

Queria fazer uma declaração final formal: respeito todas as profissões, todas as artes, mas em nenhuma delas respeito o conformismo, a incompetência ou a mediocridade. Isto para que, no ruído do que digo, não fique o que não quero dizer.

Se o António identificar a mediocridade, por favor venha cá fora observar por outra lente.

Confio que o António, e alguns mais, advogados ou jornalistas, serão capazes.

Serão sempre poucos, mas serão capazes.

Abraço do Pedro Guilherme-Moreira"


"Little boxes, all the same.
There's a green one and a pink one
And a blue one and a yellow one
And they're all made out of ticky-tacky
And they all look just the same"
Malvina Reynolds (genérico de Weeds)

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