2009-05-10

Atlântico da Madalena Campeão


No dia em que o FC Porto celebra, em futebol, mais um tetracampeonato, este blogue destaca uma vitória do lado mágico, especial, onde se ergue o edifício do desporto.

Hoje, em Fiães, uma equipa de voleibol do Atlântico da Madalena constituída por dois Andrés, um Guilherme e um Pedro, jogadores de primeiro ano de Minis-A com pouco mais de seis meses de treino (em nove e dez de vida), venceram o torneio local contando por vitórias todos os jogos disputados (contra várias equipas do próprio Fiães, Vale de Cambra e Académica de Espinho).

Na final, encontraram uma equipa da Académica de Espinho com uma qualidade técnica superior, e que venceria nove em cada dez jogos, mas que hoje foi batida pela humildade, concentração e esperança de jogadores que atingiram assim, de forma certamente gloriosa (porque se inscreverá para sempre na memória pessoal de cada um, e se erigirá como base de cada momento maior), a primeira vitória desportiva da sua carreira e da sua vida.

O facto de ter entre os vencedores um filho, e entre os derrotados um sobrinho (há um mês foi vice-versa, já que esta final foi uma re-edição dessa), faz com que sinta fundamental trazer este testemunho, que acaba por ser pessoal.

No final, uma criança da Académica, que chorava convulsivamente, percebendo ter perdido, e enquanto os adversários festejavam a sua improvável vitória, alterou o marcador do jogo que tinha sido seguido por dezenas de pessoas até ao ponto final, vencido in-extremis pelo Atlântico. O seu treinador, ao invés de tornar esse facto irrelevante, apoiando o seu jogador, afastando-se para lhe dar uma lição de desportivismo e deixando o palco breve aos vencedores, resolveu rentabilizar esse facto para fingir uma vitória que não teve. Todos os adeptos (pais) e técnicos do Atlântico se portaram com dignidade e elevação, estimulando que os jogadores das duas equipas se abraçassem e se integrassem na despedida colectiva final, sem valorizar este acto, como deve ser.

E à luz vitória, saborosa, os jogadores vestidos de verde e branco aprenderam, pela primeira vez, a desconfiar  e a vigiar o adversário, e os jogadores vestidos de preto perceberam que podiam enganar de novo, com o beneplácito dos seus professores e formadores.

Não houve insultos, reclamações, dos campeões.
Por isso mesmo: são campeões.

No dia de mais um tetra do FCP, uma equipa de voleibol dos Minis-A do Atlântico da Madalena percebeu, pela primeira vez, o que é ser maior.

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