2009-03-10

As marés dos amigos de ontem


Tenho feito um assinalável esforço para reunir amigos que não vejo há 25 anos ou mais. Terei encontrado mais de vinte, e todas as conversas têm sido deliciosas. Nota-se uma grande alegria no reencontro. Há, no entanto, dois fenómenos a registar: a consciência da pouca importância que temos na vida de alguns que pensávamos do peito, o que não deixa de ser mais um desafio para que sejamos mais humildes nos passos em frente; e as marés. Apesar da festa do reencontro, o movimento natural das coisas leva-os de volta. Para mar alto.Confesso que, quando o pressinto, uma suave frustração toma conta de mim. Quem é feliz no presente encara estes momentos de nostalgia como puro prazer. Mas não é assim para todos. Há quem não queira ser tirado do lugar onde está por um minuto que seja, para um café que seja. Há quem não queira ser visto diferente, mesmo que esteja melhor do que há 25 anos. Há quem não queira descolar do ninho que conquistou para voltar a assumir o mesmo papel de antes. E então temos de concluir, pela primeira vez, que os perdemos para sempre. Sem drama (para lá do poder do sentimento que toma conta de nós). Não voltes ao lugar onde já foste feliz.

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