2008-07-10

Supremo Tropa de Elite


Sai-se da sala de cinema sumido.

A natureza humana e o carácter em estado puro. Literatura. Autenticidade. Contundência.

Os extremos do bicho homem. Um filme que é muito cinema (muitíssimo!) exibe-nos de forma inclemente aonde chega este estranho animal quando sem freio.

O resultado é uma favela e um estado de guerra permanente.

Cabe lá o amor, a fraqueza, a vingança, um descontrolado sentido de justiça, mas não cabe a paz.

Queremos que fiquem todos longe de nós.

Que fime, senhores, que filme!

Pedro Guilherme-Moreira

13 Anos de nobreza


Embora celebre também hoje, 10 de Julho, 11 anos de agregação à Ordem dos Advogados como profissional senior, a verdade é que sempre considerei o dia da licenciatura como o momento zero da advocacia, exactamente por ter começado aí a estruturar o que até aí não passara de um sonho.

Celebrarei pois 13 anos de advocacia no dia 25 de Julho de 2008, e ela permanece um sonho que persigo com paixão.

Disse a alguns amigos, há dias, que este ano precisava de férias e que, apaixonado como sou por notícias, já não suporto ouvi-las há alguns dias a esta parte.

A advocacia é o acto nobre de afastar o lixo da essência das coisas.

Até da "a essência da vida", se quiserem.

Quando os advogados se divertem a atirar lixo uns aos outros, é normal que um como eu esmoreça por momentos.

O ano passado fui traído por um colega pela primeira vez, uma marca que se vai eternizar, mas estes breves e insignificantes 13 anos são dourados pelo que me fizeram crescer como homem.

A advocacia encerra uma nobreza extrema.

Ser confundido com um ladrão cansa, por vazias que se vistam as frases e os seus autores.

13 anos depois este é, pois, o meu primeiro momento de cansaço pelo desrespeito da função.

Mesmo os melhores clientes, alguns bem chegados, surpreendem-nos com um azedume que nos custa a aceitar. As próprias vitórias já não chegam.

Volto pois ao primeiro ano como jogador federado de voleibol para dizer que tenho saudades de perder, tenho saudades de que os outros saibam perder.

Aprendam a humildade.

Agora vou arrumar a casa e voltar em força para mais 13 anos (será?).

Pedro Guilherme-Moreira, pele de toga, liberdade de sangue;

A desimportância dos parabéns


No dia dos meus anos dirigem-se-me pessoas que não me conhecem, umas, ou conhecem-me mas só se lembram de mim quando a agenda as avisa.

Recebo sms de parabéns às primeiras horas do dia do meu banco e de algumas empresas a quem tive de dar a minha data de nascimento, e um dia destes estarei a receber felicitações de ministros e ministérios. Outras empresas mais duvidosas a quem dou uma data de nascimento falsa (quase sempre na inernet), dão-me os parabéns o ano todo.

No dia do meu funeral terei a visita (atrasada já:) de "amigos" que se sentem vagamente obrigados a lá estar.

É por isso que me desimportam os parabéns. Absolutamente.

No dia dos meus anos quero olhares calorosos, prenhes, mensagens com dificuldade de se conterem nos seus próprios limites.

No dia do meu funeral quero só os que gostem de mim. A razão pode ser a mais fútil e rebuscada, mas importa-me que gostem de mim. Só nesse dia.

Fazer os que faço ou outros quaisquer não tem importância nenhuma, como não têm os parabéns. Sinto, é verdade, um suave brilho suplementar, nada mais. Algo de muito íntimo, e portanto insusceptível de ser paritlhado, a não ser com os que andam sempre dentro de mim.

Hoje vou ser eu a telefonar a esses e a pedir-lhes uma palavrinha.

Assim é que é.

Pedro Guilherme-Moreira, não digo quantos, 10 de Julho de 2008