2008-07-10

A desimportância dos parabéns


No dia dos meus anos dirigem-se-me pessoas que não me conhecem, umas, ou conhecem-me mas só se lembram de mim quando a agenda as avisa.

Recebo sms de parabéns às primeiras horas do dia do meu banco e de algumas empresas a quem tive de dar a minha data de nascimento, e um dia destes estarei a receber felicitações de ministros e ministérios. Outras empresas mais duvidosas a quem dou uma data de nascimento falsa (quase sempre na inernet), dão-me os parabéns o ano todo.

No dia do meu funeral terei a visita (atrasada já:) de "amigos" que se sentem vagamente obrigados a lá estar.

É por isso que me desimportam os parabéns. Absolutamente.

No dia dos meus anos quero olhares calorosos, prenhes, mensagens com dificuldade de se conterem nos seus próprios limites.

No dia do meu funeral quero só os que gostem de mim. A razão pode ser a mais fútil e rebuscada, mas importa-me que gostem de mim. Só nesse dia.

Fazer os que faço ou outros quaisquer não tem importância nenhuma, como não têm os parabéns. Sinto, é verdade, um suave brilho suplementar, nada mais. Algo de muito íntimo, e portanto insusceptível de ser paritlhado, a não ser com os que andam sempre dentro de mim.

Hoje vou ser eu a telefonar a esses e a pedir-lhes uma palavrinha.

Assim é que é.

Pedro Guilherme-Moreira, não digo quantos, 10 de Julho de 2008

3 comentários:

Abel Dias Ferreira disse...

Como sempre, um texto impressionante que recolhe todo o sentimento.
E esqueça o funeral, pois que tem ainda muito a fazer por cá. Além disso, trata-se de um facto inelutável onde, inevitavelmente, se juntarão cordeiros e lobos.
Um grande abraço.
Abel Dias Ferreira

Anónimo disse...

E eu fico de coração apertado e muito agradecido por ser dos que gostam de mim:) PG-M

Anónimo disse...

Ser ou não ser Advogado. eis a questão? Vive-se mal com as verdades e com as mentiras, mas vive-se. Isso é ser advogado.