2008-06-19

Eça finalmente (e o audiolivro)


Pelas 12h será hora da corrida junto ao mar, que neste prenúncio de Verão se tem enchido de maresia viva e sol.

Há muito que aguardava a experiência de “ler” um livro correndo, mas surpreendeu-me o prazer que daí retirei.

O esforço físico quase se esquece, a compenetração é perto do absoluto, superior à música ou às entrevistas do Carlos Vaz Marques e do Viegas em mp3, e muito superior à rádio.

Mas o mais marcante é que, depois de muitas tentativas para gostar de Eça e da incapacidade de não gostar de o ouvir dentro da minha cabeça pela minha voz interior, finalmente Eça me chegou luxuriante pela voz de José Wallenstein.

Era isso, precisava que outros me lessem Eça, assim, ao ouvido.

Recomendo viva e entusiasticamente.
E no caso de Eça com a coincidência de ter passado muitas vezes correndo pela sua casa da Praia da Granja, cá em Gaia (imagem), onde morreu a sua mulher há não muitos anos (sepultada algures no cemitério de Arcozelo, mas nele perdida para sempre – ninguém sabe o local exacto da sua última morada). Casa que, como muitos saberão, foi desgraçadamente demolida o ano passado por um erro clamoroso da Câmara que agora fala em reconstruí-la (!!!).

O audiolivro que comecei ontem e terminarei hoje é “Civilização”.Ele e o seu “civilizado” amigo que tem uma biblioteca com mais de oito metros de Economia Política (que Eça detectou só à procura de Adam Smith) estão a chegar a uma aldeia de montanha. “Vê-se” o comboio a aportar no apeadeiro e a caminha forçada estrada acima que os está agora a surpreender em cascatas que jorram das fragas e se sobrepõem ao silêncio e aos suspiros de “Que maçada!”.

Agora não vou querer parar de ler correndo e ouvindo.

Pedro Guilherme-Moreira

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