2007-12-10

Beowulf - o 3D e o festival dos sentidos (impossível perder!!!!)


Hoje gostava de ser profundamente prosaico, perante a impossibilidade de verbalizar, mesmo intelectualmente, a experiência transcendente que tive ao assistir à versão Digital de Beowulf, de Robert Zemeckis. Eu insisto neste particular já ao princípio: só a versão digital nos proporciona tão intensas emoções. Para se ter uma pequena ideia do que é um filme nestes moldes, convinha ter assistido já ao espectáculo 4D no Zoomarine (penso que é a aposta deles em 2006 e 2007) - quase todos entramos com baixas expectativas, se não tivermos já sido avisados por alguém, e saímos perfeitamente assombrados. Longe vão as experiências frustradas de filmes 3D a preto e branco dos anos oitenta. Muito longe! Mesmo a mais circunspecta das almas está, passado alguns minutos, a perder-se em "aaaaahhh"s de espanto, e a desviar-se dos mais variados objectos, experiência realista que tem o seu culminar na onda (penso que era uma onda) que nos molha efectivamente, na serpente que quase nos engole, no macaco que nos tenta agredir.

Com esta ideia presente, vamos a uma sala com tecnologia digital para termos uma experiência única (lista de salas no fim) - é mesmo daquelas coisas que eu tenho de aconselhar quase em desespero. Se as pessoas soubessem a intensidade e a novidade da experiência, as salas digitais do país estavam com filas intermináveis. A maioria dos críticos, coisinhas cinzentas, ignoraram o filme e esqueceram-se de avisar os clientes dos jornais e revistas onde escrevem que ninguém pode ficar indiferente a Beowulf 3D.

Além de ser um muito razoável filme, com poucos momentos de violência e muitos de beleza, deve ser o trabalho de animação tecnicamente mais aproximado da perfeição, no que toca à imitação visual do mundo humano. Há momentos em que nos esquecemos que estamos perante actores virtuais. Em termos estáticos, é sublime, e eu até dizia que não convém aperfeiçoar mais o movimento, ou deixa de ser animação (já pouco é).

Agora imaginem o que é ver o filme, não no ecrã, lá ao longe, mas com os personagens do primeiro plano no meio da sala, junto de vocês. Um dia, em breve, o filme vai estar à nossa volta, mas com Beowulf falta pouco.

Tenho de deixar um alerta: a habituação a esta experiência de realismo é total, embora nos vamos espantando, ao longo do filme, com um ou outro pormenor que interage connosco (a lança que quase nos trespassa, as pedras que nos saltam para cima), mas convém ter algum cuidado ao regressar ao mundo real, mesmo que Zemeckis não torne Beowulf uma experiência grotesca (ou seja, usando todos os artifícios do 3D – depois de um início agitado, pela novidade de ver o filme junto de nós, conseguimos sossegar um pouco!). É que, quando eu cheguei cá fora, estava, ao que me disseram, branco, e suspenso no que tinha acabado de ver e sentir. Dura cerca de quinze minutos este estado letárgico.

E demorou alguns dias a dizer alguma coisa com sentido.

Quando saí do cinema e me perguntaram se tinha gostado, eu só abanava com a cabeça, e, quase gemendo, dizia:

- Se eu disser que gostei, não é verdade. Que adorei também não.

Eu ainda estava a levitar, e é impossível dizer o que quer que seja de uma experiência tão forte, que nos activa os sentidos quase todos e nos coloca em levitação.

Neste tempo de alarmismos, antes que encontrem algum dano neurológico do cinema 3D para os nossos cerebrozinhos (que aquilo mexe com os neurónios, lá isso mexe, e bem!), vão correr este risco, por favor, que vos vai saber melhor do que uma volta de montanha russa. E para quem não gosta de montanha russa, aí está uma forma barata e confortável de ter uma emoção superlativa.

Repararam que nem falei no enredo?

Bom, é um espécie de lenda dinamarquesa, uma história singela mas bonita. Nada do que os “trailers” dão a entender.

Para acabar, falo do fim: os últimos segundos do filme, depois de muito deleite visual, são de uma intensidade dramática que é difícil de encontrar em actores reais.

Ah, e ver o desenho da Angelina Jolie nua (com um corpo que ela não tem) não pode ser relevante. Para eu dizer isto, imaginem o resto!

Vejam o “trailer” aqui, por favor:  http://www.imdb.com/video/trailer/me60340887

Pedro Guilherme-Moreira


PS: Escolham um lugar a meio da sala (mais para a frente do que para trás;) Salas 3D em Portugal neste final de 2007: Porto: DolceVita e Norteshopping; Lisboa: Lusomundo - Arena Shopping, Lusomundo – Cascaishopping, Lusomundo – Colombo, Lusomundo - Vasco da Gama, Cinemax - BragaShopping, Lusomundo - Arena Shopping, Lusomundo - Braga Parque, Lusomundo - Fórum Coimbra, Lusomundo – Glicínias (Aradas, Aveiro);

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