2006-03-17

O PERDÃO (A Natália Correia)

O PERDÃO (a Natália Correia)

Era eu e meio mundo,
Na solidão pensante,
A desdenhar os vôos
Da tua lança infame.

Perdoei-te.

Eram mulheres de homens,
Em amantes ressentidos,
Que mirravam na fronteira
Do teu país, Mátria em si.

Perdoei-te.

E foi um Março qualquer,
Nem por ontem nem por nunca,
Nem por ti nem por ninguém,
Que resolveste partir.

E eu, que andei sem ti
Meia vida e meia morte,
Já me perdi neste passo;
Se não fui, também não vim;

Parei, surrealizei e vi,
Nesse segundo sem ti,
Que noites sem teu trovão
São cem planaltos sem chão,

Sem me empurrares,
Sem me espantares.

Não pode ser, Natália,
Que vais fazer tu aí?
Que vamos nós ser aqui?

Não te perdoo, assim.
Perdoa-me tu,
Por mim.


Pedro Guilherme-Moreira
16 de Março de 1993

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