2005-08-12

DIREITO NA ESCOLA (DE VALADARES)


Os crescidos só fardam respostas.

E despem perguntas, ou, se as vestem, são sempre as dos outros, que, com uma compulsão quase paranóide, dão como certas.
Sempre sem perguntar antes.
Confesso que, como representante de uma das profissões mais crescidas, com enormes franjas cinzentas, fui à Escola de Valadares, naquele meado de Junho, procurar a minha cura na turma de Educação Cívica da professora Elisabete, do 9º Ano.

A advocacia é, claro, uma nobre profissão, que os próprios advogados teimam muitas vezes em vulgarizar, abdicando do combate ao prévio conceito ou, pior ainda, alinhando por ele.

Pois naquela idade, que ronda os quinze anos, os preconceitos são infinitamente menos que nos matulões maduros do café do bairro, que à entrada nos desdobram a passadeira vermelha do doutor, e à saída - ou mesmo ainda lá dentro, em bicas bicadas sem açúcar - , nos puxam um tapete de gajo para baixo.

Não sei se reduza esta crónica aos temas conversados - no "Direito na Escola" a iniciativa é sempre dos alunos - , sempre a um nível altíssimo, avassalador mesmo, para quem está habituado a cair na armadilha das minudências, se vos reporte a honra imensa de estar perante aqueles rapazes e raparigas a falar e a escutar esse Direito que amamos.

Como impulsionador desta iniciativa, este ano alargada a todos os colegas, posso testemunhar que, nestas visitas, a emoção mínima é sempre suprema.

Só tenho pena de não ter podido oferecer a cada um destes jovens amigos este meu testemunho.

Havia que respeitar a campainha -que para eles é uma urgência, e para nós uma essência -, e deixá-los esvair para um 10º ano que virá a ser a primeira especialização de cada um deles.

Espero apenas que os que daqueles já se constroem advogados, levem no peito e na toga uma partícula daquela hora.

E que os que não vão em Direitos, levem na argamassa do seu edifício um calor no olhar, para que possam ver para além do tipo social, ou da imposição "luminosa" do quinto poder.

Saí encantado.

Voltarei curado.

Pedro Guilherme-Moreira
2005-08-11

2005-08-05

O FOGO CHEGOU À PRAIA


Está aqui o meu testemunho vivo da nuvem que ontem, às 14:30h, impregnava as praias de Gaia de uma estranhíssima cor tijolo (foi correndo desde o Rio Douro, de manhãzinha, sempre para Sul), que nem num fim de tarde se vê. O tempo estava um autêntico caldo. Mal a nuvem passou, deixou espaço para a frescura do ontem abençoado vento norte. Ali ao longe vê-se Espinho, sob um manto apocalíptico. Eu estava na praia da Aguda.